Abril 23, 2019

CARTAS PARA HELENA

CARTA NÚMERO DOIS

CARTAS PARA HELENA
Belo Horizonte, 12 de fevereiro de 2019.

M'ija,

Ninguém escreve cartas mais. Ninguém escreve três cartas no mesmo dia para o mesmo destinatário. Ninguém escreve cartas à mão. Ninguém escreve cartas na nuvem. Ninguém se importa com a greve nos correios. Ninguém escreve cartas para um feto. Encontrei um poema antigo abandonado na gaveta do trabalho. Todo poema é sem destino. Não há novidades no horizonte imediato. As pessoas se despedem e dão de costas.

M'ija, escolha bem seus inimigos. Não se preocupe: as amizades brotam. Amigas & amigos serão seu mirante. Triture seus medos com qualquer canto. Prometo a minha presença incondicional durante todos os dias que me restam de vida. O pai aparenta saber coisas quando no fundo apenas improvisa.

Ninguém é um oco de expectativas.

Não faço a menor ideia do que me espera.

A vida é jazz.

A fome imensa.

Fome de vida e sonhos pa’ti.





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