Fevereiro 28, 2019

Monólogo de um pai com seu filho de meses

Enrique Lihn, poeta chileno. Fragmentos, tradução livre.

Monólogo de um pai com seu filho de meses

Nada se perde com a vida, ensaie:
Aqui você tem um corpo na medida
O fizemos na sombra pelo amor às artes da carne
Mas também seriamente
Pensando na sua visita como um novo jogo de prazer e dor;
Por amor à vida, por temor à morte e à vida,
Por amor à morte
Para você ou para ninguém.

É seu corpo, toma-o, faça-o ver que lhe agrada,
Como a nós, esse duplo presente que
Fizemos para você e para nós [...]

Mas viva e verá
O monstro que você é, com benevolência,
Abrir um olho e outro tão grandes,
Abraçar o céu,
Mirar-lo todo como de dentro,
Perguntar-lhe as coisas pelos seus nomes
Rir com o que ri, chorar com o que chora,
Tiranizar gatos e coelhos [...]

Para fazer amor ali estava sua mãe
E o amor era o beijo de outro mundo na fronte,
Com o qual se reanima os enfermos,
Uma leitura a meia-voz, a nostalgia
De ninguém e nada que nos dá a música [...]



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